Uma semana a limpar cantaria em Marvão
Doze voluntários, dois conservadores e trinta metros de muralha. O diário de bordo de quem nunca tinha pegado numa escova de dentes profissional.
Chegámos a Marvão numa segunda-feira de calor. Éramos doze, entre os vinte e os sessenta e tal anos, e nenhum de nós sabia distinguir um granito são de um granito doente. Ao fim de uma semana, todos sabíamos — e sabíamos também que a limpeza de cantaria é um trabalho lento, de escova macia e paciência.
Os dois conservadores-restauradores que orientaram o campo ensinaram-nos a ler a parede antes de lhe tocar: onde há líquenes, onde há sais, onde a argamassa antiga ainda cumpre e onde já não cumpre. Só depois pegámos nas escovas.
Trinta metros de muralha depois, ficou a sensação de que o património é uma coisa que se pode tocar, e que se trata melhor quando se conhece de perto. As inscrições para o próximo campo abrem na newsletter.